LIGA DE MELHORAMENTOS DE LUADAS

AGREMIAÇÃO REGIONALISTA

Fundada em 17 de Março de 1952

Luadas - 3305-035 Benfeita

CORPOS GERENTES

MESA DA ASSEMBLEIA-GERAL
Presidente - Alexandre Miguel Santana Agostinho
Vice-Presidente - Ramiro Dias Antunes
1º Secretário - Luís Miguel Gonçalves Pereira
2º Secretário - Manuel da Conceição Francisco
Vogal - Vítor Sérgio Santana Agostinho

DIRECÇÃO
Presidente - Horácio Campos Marques
Vice-Presidente - José Gonçalves da Costa Pinheiro
Tesoureiro - Fernando de Jesus Correia
Secretário - José Alberto Gonçalves Filipe
Vogal - José Gonçalves Dias da Costa Silva

CONSELHO FISCAL
Presidente - Rogério Gonçalves Pereira
1º Secretário - Ângelo Augusto Pedro
2º Secretário - Arlindo Gonçalves Dias

O NASCER DE UMA COLECTIVIDADE

Estavamos no final da 1ª metade do Século XX (1949/1950), e nesta altura havia uma colónia razoável de naturais de Luadas que habitavam, ou haviam habitado, na Quinta do Coleginho (na Mouraria, em Lisboa) no Casarão da Ti Elvira, e como hábito, para ali foi mais um residente com 17/18 anos (Fernando de Jesus Correia, irmão do autor desta missiva), juntando-se a Aníbal Filipe, este já ali residente e com, pelo menos, mais 9 anos do que aquele.
Assim, ambos dotados de uma grande vontade e com um espírito regionalista, frequentavam os pic-nics de diversas colectividades da nossa região, como também a Casa da Comarca de Arganil, situada na Rua da Fé, em Lisboa.
Tendo divulgado a ideia à colónia de Luadas em Lisboa, esta foi acolhida pela maior parte dos residentes com entusiasmo, bem como por parte da Família de José Gonçalves Matias, oriunda de Relva Velha, mas casado com uma senhora de Luadas (Maria da Assunção Matias) e, assim, por diversas vezes houve reuniões, não só na Quinta do Coleginho, como em cafés; praças públicas; em casa de José Matias, à Rua do Salitre; Casa da Comarca de Arganil, Agremiação Regionalista que na altura (1950/1952) era gerida por António Pereira, do Sardal; participando também o Secretário da Liga de Melhoramentos da Freguesia de Benfeita. Como bom amigo do Fernando e do Aníbal, e como grande regionalista que era, sensibilizou-os a prosseguirem com os seus intentos e a lutar pelos ideais regionalistas. Deste modo, e depois de diversas movimentações concretizadas em 17 de Março de 1952, realizou-se na Casa da Comarca de Arganil, sob a batuta de António Pereira e José Duarte da Costa Nicolau (na altura Tesoureiro da Liga de Melhoramentos da Freguesia de Benfeita), homens que para o efeito haviam sido convidados, por serem ínigmes na matéria do Regionalismo como na conclusão burocrática, de modo a que tudo andasse para a frente e nada ficasse para trás. Após lidos os Estatutos da Comissão de Melhoramentos da Relva Velha, com pequenas alterações ali sugeridas pelos presentes, foram aprovados os Estatutos da Liga de Melhoramentos de Luadas, tendo sido considerados Sócios Fundadores, não só os elementos presentes, como todos aqueles que se inscreveram como sócios nos primeiros 4 ou 6 meses após 17 de Março de 1952.
Procedeu-se em seguida à nomeação da Comissão Organizadora, em que foram nomeados e aprovados por maioria:

Presidente - José Gonçalves do Páteo
Secretário - Edmundo Quaresma
Vogal - Aníbal Filipe
Suplente - Fernando de Jesus Correia

Estes deveriam, em principio, fazer parte dos Corpos Gerente da Colectividade. Depois dos Estatutos devidamente aprovados e legalizados pelo Governador Civil de Lisboa, houve que proceder à 1ª eleição dos Corpos Gerentes, mas devido à menor idade de Fernando Correia, este não pôde fazer parte dos mesmos, o que bastante o aborreceu, mas tudo andou para a frente e a eleição ficou assim concluída:

ASSEMBLEIA GERAL
Presidente - José Duarte da Costa Nicolau
1º Secretário - José Gonçalves Matias, Júnior
2º Secretário - ?

DIRECÇÃO
Presidente - José Gonçalves do Páteo
Vice-Presidente - Edmundo Quaresma
Tesoureiro - José Gonçalves Matias
Secretário - José Alfredo Correia
Vogal - Aníbal Filipe

CONSELHO FISCAL
Presidente - António Augusto da Costa
Secretário - ?
Relator - ?

Todos os nomes dos primeiros dirigentes da colectividade foram publicados num livro editado pela Casa da Comarca de Arganil.
Após a fundação da Liga de Melhoramentos de Luadas, como primordial importância, procedeu-se:
1) Arranjo das ruas da povoação, pois havia que acabar com as estrumeiras nas ruas, as penedas escorregadiças, principalmente na Quelha da Poça onde não se podia passar de Inverno porque chovia e de Verão porque a água das regas era uma constante. Os regos e/ou levadas da água de rega atravessavam a povoação em diversas direcções a olho nu.
2) Substituição da canalização da conduta da água de abastecimento à povoação, desde o Depósito na Fonte Velha (Nascente).
3) Telefone.
4) Electricidade.
5) Abertura da Mina na Fonte Rochel para reforço do abastecimento de água ao povo tendo em vista o domícilio.
6) Abertura das valas, compra de tubos e assentamento dos mesmos desde a nascente até à povoação e dentro da mesma.
7) Cosntrução do Depósito para a água.
Depois das ruas aplanadas, calcetadas, abertura das valas nas mesmas e canalização assente para abastecimento de água ao domicilio e mais três chafarizes. Chegou-se ao fim de todos estes melhoramentos, não se recebeu quaisquer subsídios de quaisquer entidades oficiais e tudo isto foi custeado pela própria povoação e dirigentes da colectividade que para o efeito fizeram, em Lisboa e na Terra Natal, pic-nics e outras festas para anagriamento de fundos, tendo como principais impulsionadores José Matias (Pai) e Aníbal Filipe, tendo este se ausentado para Cepos, onde casou e fixou a sua residência.
Em 1956/1957 (não deve andar muito longe da verdade), o 1º Presidente da Colectividade retirou-se por doença e falecimento e foi eleito para o seu lugar Silvério Gonçalves Matias e este conhecia pessoalmente o Comendador Duarte Martins, oriundo de Secarias, o qual se dava muito bem com o Dr. Salazar e não só, mas de igual modo com o Secretário das Obras Públicas e um grande impulsionador e benemérito da Casa da Comarca de Arganil, em Lisboa. Tinha-se pensado dar ânimo ao começo das obras para a abertura da estrada da Benfeita a Luadas e Pai das Donas. Após conversas mantidas entre Silvério Matias e Comendador, as "démarches" foram iniciadas e teria que ser apresentado projecto da obra. Sabia-se que, por haver um "zum-zum", tal projecto havia sido feito, mas o mesmo não aparecia. Este projecto teria sido requisitado por uma Comissão em 1942/1943, por José D'Oliveira Branco e Serafim Pereira dos Reis de Luadas e Firmino Penedo e António Antunes (Violas) de Pai das Donas. Assim, por iniciativa de Silvério Matias e José Duarte da Costa Nicolau, deliberou-se uma deslocação à Junta de Freguesia de Benfeita nesta missão, presidida por José Nicolau, acompanhado por mim, como Secretário da Liga, e mais Américo Pereira e Jaime da Fonseca. Depois da conversa com o Presidente da Junta, que pouco ou nada adiantou, fomos ao Presidente da Câmara, que também pouco ou nada nos disse de concreto. Deste modo, por proposta de Américo Pereira, fomos a Coimbra solicitar ajuda ao Padre Diniz (Padre Poçadoura), oriundo de Pai das Donas e Benfeita, mas com habitação em Torrozelas, que no momento paroquiava a Igreja dos Olivais em Coimbra. Embora soubessemos que era contrário ao Regime da época, ajudou-nos bastante, dando-nos indicações de como haveríamos de actuar e apresentou-nos um engenheiro para a elaboração do projecto da referida estrada e de modo a não demorar, para poder ser comparticipada, e assim dar início à obra. Mais deslocações a Coimbra se seguiram, mas destas vezes por José Gonçalves Matias (Pai) e António Augusto da Costa, que se fizeram acompanhar das pessoas acima indicadas de Pai das Donas e sempre na companhia do Padre Diniz.
Entretanto, em fins de 1958, devido ao Presidente Craveiro Lopes ter acabado o seu Mandato como Presidente da República, houve eleições e o Dr. Marcelo Matias, oriundo de Benfeita, na altura Embaixador em França, foi nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros e assim fazer parte do Governo de Salazar. E foi então que nos deslocámos a casa dele no Estoril, onde nos recebeu de braços abertos (José Gonçalves Matias - ainda parente, José Nicolau, Américo Pereira e eu) e foi então que as "démarches" se concluíram. A obra foi subsidiada quase de imediato, mas ainda hoje não sei se foi por impulso do Padre Poçadoura, do Comendador Duarte Martins ou do Ministro Marcelo Matias, que este melhoramento foi "tirado da gaveta". Seja como for, a estrada foi iniciada (3 km), mas só para ser rasgada demorou cerca de 5 anos. "A paço lento e vagaroso, reentramos na tradição". Esta frase é de Salazar.
Em 1974 (ano da Revolução de 25 de Abril), procedemos às "démarches", para prolongar a estrada florestal desde a lomba da Esculca a Luadas, para assim ligar Luadas às terras da serra e à Sede de Concelho, por ser um percurso muito mais curto. Além dos contactos mantidos com a Administração Local das Florestas, cujo administrador ainda era o Eng. Lino Teixeira, este havia-nos recomendado, depois de nos dar o aval da obra, que logo que aparecesse um único dono das terras a embargar a abertura da estrada, esta seria imediatamente suspensa.
Quando esta estrada já tinha sido rasgada até à Coceladinha (cerca de 1 km antes de Luadas), esta foi suspensa, não por qualquer dono das terras, mas pelos próprios Serviços Florestais. O Eng. Lino Teixeira tinha sido transferido de Arganil e nós estávamos de mãos amarradas sem saber o que fazer, para que os trabalhos não fossem interrompidos. Deu-se o caso de dois elementos da Direcção estarem na terra nesta altura, e de imediato se deslocaram ao encontro do Eng. Lino Teixeira, e depois de terem falado com ele pessoalmente, no momento telefonou para a Administração de Arganil e deu instruções para que a obra não fosse cancelada, ou seja para ser concluída e ter o seu término dentro da povoação na parte ocidental, o que foi feito. Ainda hoje se deve ao Eng. Lino Teixeira tal agradecimento, pois tal obra jamais foi inaugurada.
Entretanto houve outros melhoramentos, tais como os Largos da Poça, da Capela e dos Fundadores, comemorando os 50 Anos da Colectividade. Ainda tenho esperança que um dia seja descerrada uma lápide, perpetuando os Combatentes na última Guerra Ultramarina, em Angola, Guiné e Moçambique. Porque creio ser uma bonita e devida homenagem da Terra a estes heróis que arriscaram a vida em defesa da Pátria, e que foram chamados às armas, já depois de serem sócios da colectividade.
O alerta foi divulgado, agora só resta dar início aos factos e aguardar a vontade dos actuais dirigentes e/ou os que lhes seguirem.

ndr: Este discurso foi lido pelo autor, aquando da Inauguração do Largo Os Fundadores em 2 de Abril de 2002. Posteriomente, em 2005, foi inaugurado o Largo dos Combatentes, cumprindo-se o desejo expresso no final do discurso.

MOVIMENTO DE CAIXA

ENTRE 1 DE JANEIRO E 31 DE DEZEMBRO DE 2005

disponível em formato PDF

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